domingo, 22 de maio de 2011

Mais uma de mim

Alimento a esperança de que me conhecendo melhor posso ser alguém melhor para mim mesma e
para os outros

 Incumbida de escrever um texto publicitário na última semana, pensei e cheguei à conclusão de que deveria começá-lo com a seguinte frase “conhecimento é essencial para quem quer crescer!”, que, inclusive, tem me feito refletir muito ultimamente.

Sou parte de um todo desconexo em mim, e a maioria dos seres humanos é assim. Não nos conhecemos e queremos ser mestres em coisas que para a nossa experiência conosco mesmos são completamente obscuras. Mas chega um tempo em que temos que lidar com essas coisas, são dores, feridas, mágoas, repressões próprias, medos e até alegrias com as quais não sabemos viver.

Viver! É algo tão simples, mas ao mesmo tempo tão complicado. Mas uma coisa é fato, o modo de vida é intrínseco a cada um, alguma coisa muda quando uma pessoa se une a outra ou quando essas duas já não são mais apenas duas, são três, quatro, cinco ... Entretanto, mesmo assim, ainda temos um jeito único de viver! E, conhecemos esse jeito?

Eu não conhecia até há pouco tempo; e digo que ainda não conheço totalmente. Apenas sei que mudei. Presa na correria do dia a dia, quase nem percebo a mudança; no entanto, se olho para os 30 anos como um todo, ahhh... muita coisa mudou. Mudou no meu jeito de ser, de lidar com as pessoas, de esperar algo dos outros, mudou no meu jeito de querer, de conviver, de colaborar. Mudou, talvez, no meu jeito de amar.

Não brigo mais por coisas que são impossíveis, é inútil. Não olho para as pessoas como se elas fossem as minhas salvadoras, elas não são. Nem como se elas fossem as mesmas todos os dias, assim como eu mudo, elas também mudam.

Não espero mais um bom dia acompanhado de um sorriso, porque muitas vezes eu também não quero dá-los. Não espero mais um mundo sem violência, prefiro tomar precauções para fugir dela, mas sei que pode ser que um dia ela me encontre. Não procuro mais ser feliz entre as pessoas, porque sei que a felicidade está dentro de mim e apenas preciso aprender a vivê-la sem a ajuda de ninguém.

Não espero mais apenas sorrir de alegria, porque sei que se ela for plena de fato, vou derramar lágrimas de emoção. Não espero mais que alguém retribua o meu amor, apenas quero a oportunidade de amar, do meu jeito, porque também estou disposta a dar essa “permissão”.

Não acredito mais em perfeição em nenhum tipo de relacionamento – familiar, amoroso, de amizade, no trabalho – porque sei que nos relacionamentos mais sinceros, amorosos e consistentes existem turbulências.

Não espero mais um futuro promissor, porque não há garantias de que ele exista, trabalho hoje com compromisso para que me sinta satisfeita em ter cumprido o meu dever. Não espero mais a perfeição física, porque mesmo que me “mate” de malhar não quero me engajar em uma luta contra cada ruga que aparecer no meu corpo com o passar dos dias.

Todas essas convicções encontrei quando passei a olhar mais para mim. Quando busquei me conhecer. Sei que neste último ano iniciei uma caminha, da qual apenas dei os primeiros passos, mas com a certeza de que não tenho pressa, por isso, desta vez optei por não correr.

Conhecer é essencial para crescer; não tenho mais dúvidas. Muitos porquês sobre mim mesma ainda surgem todos os dias na minha cabeça, porém, tenho paciência comigo mesma e, assim, aprendi a tê-la com os outros também.

Dessa forma, é possível ressignificar melhor a vida. Buscar outro sentido. Um dia um amigo me disse isso, e eu achando que tinha entendido tudo não fazia a mínima idéia do que ele tinha dito, hoje eu sei.

Ressignificar é ter um outro olhar para determinada situação; é buscar e encontrar forças para vencer a luta, a dor, para secar a lágrima. É ver Graça em um dia de sol, mas também reconhecê-la em dias de chuva. É saber que se você não foi entendido em uma longa conversa, não adianta explicar, é melhor dar tempo ao tempo. Ressignificar é perdoar a si mesma, e reconhecer que errar é humano, tudo bem! Se houver envolvidos no erro e for melhor para todos, se redima, com sinceridade. Ressignificar é se abrir novamente para amar, mesmo sendo difícil e cheio de medos.

Ressignificar é buscar sempre, todos os dias, ser alguém melhor, com brio; sabe aquele que reconforta o coração? pois é, este! Ressignificar é, de fato, compreender que não somos menores, nem maiores, somos diferentes e estamos equiparados diante da criação.

Ressignificar é saber escolher, o que é bom ou ruim para si próprio. É valorizar-se, amar-se. Envolver-se com a vida, sentir prazer com o que se gosta e aproveitar cada minuto precioso que temos do nosso dia.

Ressignificar é viver a Vida, que assim como o Amor, é tão subjetiva, tão difícil de explicar, mas ao mesmo tempo tão fabulosa, tão graciosa, tão intensa. Mas algumas dessas coisas apenas conseguimos colocar em prática quando nos conhecemos.

Como uma prova escolar, esse é o segredo do sucesso! Quando dominamos um assunto, somos Mestre em determinada área, detentores do mais aprimorado conhecimento sobre uma prática, não há dúvidas, somos excelentes no que fazemos e requisitados por isso.

Quão será quando fomos “doutores” em nós mesmos e na arte de amar e viver, conheceremos então o tão almejado sucesso esperado por todos nós, e que é impossível descrever ipsis litteris. No meu caso, eu começaria dizendo que esse sucesso chama-se Felicidade.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Por um caminho, sem pressa!


Queremos tudo, e quando é o tudo o que temos ele já não nos basta.

Porque nossas relações são tão superficiais? O problema é que não conseguimos lidar com as imperfeições, nem com as nossas próprias. Assim descobrimos que somos incapazes, de muitas coisas.

A profundidade das relações está na capacidade que temos de amar. Mas isso é uma via de duas mãos, o dar e o receber. E qual é o segredo desta questão? Talvez, não esperar, não ansiar por ser amado e aguardar o momento que isso simplesmente aconteça.

Não! Somos ansiosos por demais. Não dá tempo, a vida é curta! E, muitas vezes, na ânsia pelo amor, perdemos a vida, ou realmente vivemos – mas isso é privilégio apenas que quem sabe amar.

Penso que o segredo não está em tentar, tentar, tentar ... porque cansamos! Mas em simplesmente ser, e um passo a mais pode fazer toda a diferença.

Não precisamos parecer ser perfeitos, porque não somos!
Não precisamos querer agradar todas as pessoas, suprir todos os desejos, porque NUNCA vamos conseguir!
Não precisamos fazer o impossível para demonstrar um amor sem limites, porque o outro nunca vai se sentir amado o suficiente!
Não precisamos ofegar desesperados, precisamos apenas respirar!
Não correr, apenas caminhar!
Não precisamos carregar todo o fardo mais pesado de uma só vez, mas podemos parar para descansar.
Podemos apagar a luz e apreciar o silêncio, podemos inclusive calar a gritaria da nossa própria percepção interior.

Podemos viver, sem ter tanto o que esperar e com tantas lágrimas para derramar. A nossa angústia é porque nos concentramos no passado e ansiamos incansáveis por um futuro, e esquecemos-nos completamente do presente, onde a nossa vida de fato acontece.

A nossa singeleza, a nossa humildade, o nosso carisma, a nossa disposição, os nossos cuidados apenas nos enobrecem diante dos reais valores do nosso coração, que muitas vezes não são conhecidos de muitos, por isso, aquietemo-nos.

Somos imperfeitos mesmo na mais perfeita perfeição que imaginamos em nós nas nossas vidas; e existe um Ser maior que nos revela que somos queridos, assim mesmo, da forma que somos. Que cada um tem sua importância, sua preciosidade intrínseca e que isso é expressivamente valioso de forma individual.

Por isso, respiremos... devagar, sintamos o pulsar da vida e vivamos... levemente! Olhemos para o imperfeito e amemos. Se ainda não conseguirmos, não nos desesperemos, algumas coisas levam algum tempo mesmo.

Lembremos que também não somos perfeitos. Não nos cobremos tanto, a sinceridade é um dos mais dignos valores que se pode carregar e ela nos salva de nós mesmos, da nossa culpa, da nossa dor.

Sabe a vida? Ela é como um palito de fósforo aceso, quando se vê ... já se apagou. No entanto, ela deve ser tão intensa quanto o calor que o fósforo acende. E nessa simplicidade que está o caminho da paz e da felicidade.





quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Felicidade - Fernando Pessoa

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O momento e o porvir

Um enorme impulso humano é a curiosidade, sempre queremos saber das coisas mesmo que elas não sejam vitais para nossa sobrevivência, visto o modo frenético que corremos atrás do próximo episódio da série que curtimos, das musicas do próximo CD das bandas que gostamos (mesmo que o CD ainda nem tenha sido gravado), das sondagens da janela de transferências do futebol mundial, das noticias sobre os próximos capítulos da novela, etc...

Este impulso é impulsionado (desculpe a redundância rsrsrs) pelo desejo de controlar o futuro, este desejo “nos traz a obsessão de saber o que virá“ (musica Escravos do Porvir – Fruto Sagrado) e nos torna escravos do porvir nos privando do melhor.

Todo mundo adoraria saber o dia da sua morte, ou com quem irá casar, sua posição financeira daqui a 10 anos, ou a conseqüência de seus atos, etc. Contudo, entretanto, porém o desconhecido é a garantia de uma vida intensa, a incerteza é a certeza do verdadeiro, a vida roteirizada é morna, sem surpresas, ela não reflete as emoções, é como assistir um jogo de futebol sabendo o resultado final, ou fazer uma prova com o gabarito. Ter o domínio do futuro pode ser vantajoso em alguns casos, entretanto o domínio do porvir é destituir a magia do amanhã, é abrir mão da esperança, é descolorir o belo quadro da vida.

A vida é bela, e a idéia é nobre.

Silas Lima

terça-feira, 30 de novembro de 2010

As Mulheres de 30



Isto é para as mulheres de 30 anos pra cima... E para todas aquelas que estão entrando nos 30, e para todas aquelas que estão com medo de entrar nos 30...E para homens que têm medo de mulheres de mais de 30!!!

“Á medida que envelheço, e convivo com outras, valorizo mais as mulheres que estão acima dos 30. Estas são algumas razões do porquê: 
- Uma mulher de 30 nunca o acordará no meio da noite para perguntar: "O que você está pensando?" Ela não se importa com o que você pensa, mas se dispõe de coração se você tiver a intenção de conversar.

- Se uma mulher de 30 não quer assistir o jogo, ela não fica à sua volta resmungando. Ela faz alguma coisa que queira fazer. E, geralmente é alguma coisa bem mais interessante.

- Uma mulher de 30 se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer. Poucas mulheres de 30 se incomodam com o que você pensa dela ou sobre o que ela está fazendo.

- Mulheres dos 30 são honradas. Elas raramente brigam aos gritos com você durante a ópera ou no meio de um restaurante caro. É claro, que se você merecer, elas não hesitarão em atirar em você, mas só se ainda sim elas acharem que poderão se safar impunes.

- Uma mulher de 30 tem total confiança em si para apresentar-te para suas melhores amigas. Uma mulher mais nova com um homem tende a ignorar mesmo sua melhor amiga porque ela não confia no cara com outra mulher. E falo por experiência própria. Não se fica com quem não se confia, vivendo e aprendendo né???

- Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem. Você nunca precisa confessar seus pecados para uma mulher com mais de 30. Elas sempre sabem.

- Uma mulher com mais de 30 fica linda usando batom vermelho. O mesmo não ocorre com mulheres mais jovens.

- Mulheres mais velhas são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for um idiota, se você estiver agindo como um!

- Você nunca precisa se preocupar onde você se encaixa na vida dela. Basta agir como homem, e o resto deixe que ela faça.

- Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 por um "cem" número de razões. Infelizmente, isso não é recíproco. Para cada mulher de mais de 30, estonteante, inteligente, bem apanhada e sexy, existe um careca, velho, pançudo em calças amarelas bancando o bobo para uma garçonete de 22 anos. Senhoras, eu peço desculpas: Para todos os homens que dizem, "porque comprar a vaca se você pode beber o leite de graça?", aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento, sabe por quê? Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma linguiça. Nada mais justo”

(Arnaldo Jabor)

Obs.: Uma homenagem àqueles que brincam com a minha idade! ;-)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Por Amor

Por amor, curamos nossas loucuras
Por amor, nos transformamos em pessoas melhores
Por amor, suspiramos diante das dificuldades e seguimos em frente
Por amor, aprendemos a sofrer e superar desafios
Por amor, aprendemos a traduzir atitudes, olhares, sentimentos, passamos a conhecer!
Por amor, falamos baixo, passamos fome, sede, dor
Por amor, abrimos mão dos nossos desejos e aprendemos a partilhar sem que isso seja um sacrifício
Por amor, nos entregamos sem medo, de corpo e alma.
Por amor, aprendemos a ouvir mais que falar,
Por amor, aprendemos a amparar mais que a ânsia de sermos amparados
Por amor, aprendemos a olhar no olho e expressar nossos mais profundos sentimentos
Por amor, conquistamos a segurança por aprendermos a confiar
Por amor aprendemos a sonhar, sonhos que não são ímpares ou próprios apenas, mas sonhamos também o sonho do outro.
Por amor, viramos fera na defesa do ser amado,
Por amor, deixamos de ser únicos porque nos tornamos também o outro em toda nossa unicidade
Por amor, encontramos a coragem que nunca supúnhamos ter.
Por amor, rimos sozinhos ... com lembranças, mensagens, músicas
Por amor, buscamos força para viver ...
Por amor, somente por amor, choramos lágrimas de felicidade
Enfim, por amor, apenas pelo amor, damos sentido à vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tudo acabou!


Em soluços, adormeci!
Entrei em um lugar que me era comum, mas naquele dia tinha uma “luz” diferente. Não sei explicar, mas era um ambiente melhor, acolhedor, mais sereno.

Me deixei desfrutar daquele momento. Fui avançando no caminho e, de repente, todos aqueles que mais amo foram surgindo a minha frente. Estavam todos alegres; não entendi porque tanta felicidade. Não me vinha a mente nenhuma razão para comemorar, não daquela forma, nenhuma data festiva.

Tinha gente que há anos não via, mas que sabia, significavam muito para mim.
As crianças estavam mais saltitantes que nunca, passavam a mão no meu cabelo, me chamavam sem parar, queriam colo, abraços, beijos – não sabia quem atendia primeiro. Mas, interessante, desta vez elas não se queixavam de nada.

Num ambiente tão agradável, não pude me conter, ao cumprimentar meus ente amados não resistia ao abraço; como me satisfaz o calor desse gesto.

E entre risos, falatórios, beijos, abraços, ouvi o motivo de tanta alegria: ...“acabou, acabou tudo”. Mas acabou o quê? Perguntei-me. Em seguida, senti alguém segurar a minha mão. Era tão aconchegante, de um calor tão gostoso, suave, envolvente. Logo me senti invadir por uma proteção tão grande, um sentimento de amor indescritível ... 

Me virei para ver quem era, me surpreendi. Senti uma emoção que jamais será possível explicar, me arrepiei, meus olhos marejaram ... encontrei quem eu mais amava, o alguém por quem havia esperado a vida inteira.

Foi Ele quem me explicou: “filha, acabou tudo. Acabou”. Seu olhar era tão cheio de paz, de amor, de doçura. Em meio a tanta felicidade, e diante de um sentimento tão bom, pude entender. Tudo tinha acabado ... toda dor, todo o sofrimento, toda a fome, todo o ódio, toda a doença, todo o egoísmo, toda a intolerância, todo o maldizer ... tudo o malviver.

Agora restava apenas, e tão somente necessário, o amor. Por isso, todas as pessoas eram tão felizes, as crianças tão incansáveis na sua alegria; e todo o mundo era um mundo novo.

Despertei... e a lembrança de Deus segurando a minha mão e dizendo: “filha, acabou tudo” ainda era latente como uma pura realidade. Chorei. Desta vez, as lágrimas não eram de tristeza, mas de alegria, de uma certeza de que isso não era só um sonho, que o mundo pode se tornar novo através dos laços de amor.

O mundo pode ser um mundo sem dor, sem fome e sem sofrimento. Basta que, simplesmente, vivamos a vida por amor, encontremos sabedoria nas nossas atitudes e lutemos por ser agentes transformadores de todos esses problemas.

Assim, um dia Deus vai segurar a nossa mão, sorrindo, e dizer: “Filhos, tudo acabou!”



Crônica de Eliane